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Dinheiro recebido por ENGANO: Quando devolver é obrigatório?

  • há 5 dias
  • 5 min de leitura
Dinheiro recebido por ENGANO

Receber um Pix ou uma transferência que não é sua pode parecer sorte. Contudo, guardar dinheiro recebido por engano gera obrigação legal de devolução. Recentemente, a Justiça de Santa Catarina condenou um homem por não restituir um valor depositado por erro. Além disso, o caso reforça um entendimento já pacífico nos tribunais brasileiros. Portanto, este artigo explica os fundamentos legais dessa obrigação e os riscos de não cumpri-la.

Assim, o objetivo aqui é orientar consumidores e empresas sobre como agir diante desse tipo de erro bancário. Da mesma forma, mostramos o que diz a legislação civil sobre enriquecimento sem causa. Ao final, respondemos às perguntas mais comuns sobre o assunto.

O Caso Julgado em Joinville (SC)

O juiz Gustavo Schwingel, da 1ª Vara Cível da Comarca de Joinville, analisou um caso emblemático. Uma instituição de ensino, por equívoco de sua gerente financeira, transferiu R$ 8,9 mil para a conta de um homem.

Depois de ser avisado sobre o erro, o réu não devolveu a quantia. Consequentemente, a escola precisou ajuizar ação judicial para recuperar o valor transferido indevidamente.

A Defesa Não Apresentada no Prazo

Durante o processo, o réu pediu prazo maior para se defender. Entretanto, o pedido não veio acompanhado de justificativa suficiente. Por isso, a contestação não foi apresentada dentro do prazo legal.

O juiz destacou que os documentos comprovaram o erro na transferência. Além disso, ficou demonstrado que o réu sabia da falha e, ainda assim, manteve o dinheiro. Dessa forma, a sentença reconheceu o enriquecimento sem causa.

Fundamentos Legais da Obrigação de Devolver

A obrigação de devolver dinheiro recebido por engano está prevista no Código Civil. Portanto, entender esses dispositivos ajuda a compreender o dever de restituição.

Pagamento Indevido no Código Civil

O artigo 876 do Código Civil estabelece: "Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir". Esse dispositivo trata do chamado pagamento indevido. Assim, quem recebe valor por erro deve devolvê-lo, independentemente de má-fé.

Além disso, o artigo 877 do mesmo código reforça essa obrigação. Segundo o dispositivo, quem paga por erro pode exigir a devolução daquele que recebeu indevidamente. Logo, a instituição de ensino tinha respaldo legal para cobrar judicialmente a quantia transferida por engano.

Enriquecimento Sem Causa

O artigo 884 do Código Civil trata do enriquecimento sem causa. Segundo esse dispositivo, "aquele que sem justa causa se enriquecer à custa de outrem será obrigado a restituir o indevidamente auferido". Esse foi justamente o fundamento usado na sentença catarinense.

Ou seja, manter um valor sem justificativa legítima, em prejuízo alheio, gera dever de restituição automático. Ainda assim, muitas pessoas desconhecem essa obrigação ao receber um Pix por engano.

Consequências de Não Devolver o Valor

Ignorar a obrigação de restituir dinheiro recebido por engano traz diversos riscos jurídicos. Primeiramente, o devedor pode ser cobrado judicialmente, como ocorreu no caso de Joinville.

Correção Monetária e Juros

Segundo o Código Civil, o valor deve ser devolvido com atualização monetária. Na decisão analisada, a correção seguiu o IPCA desde a data do recebimento. Além disso, incidiram juros de mora a partir da citação judicial.

Consequentemente, quanto mais tempo o valor permanece retido, maior fica a dívida. Por isso, devolver o dinheiro rapidamente evita acréscimos financeiros desnecessários.

Possível Repercussão Criminal

Em determinadas situações, reter valores recebidos por engano pode configurar apropriação indébita. O artigo 168 do Código Penal pune quem se apropria de coisa alheia móvel de que tem posse. Embora o caso analisado tenha tramitado na esfera cível, a manutenção deliberada do valor pode gerar consequências penais em outros contextos.

A Visão da Advocacia Especializada

Segundo o advogado Thales Mensur, que atua em Goiás na área de Direito Civil, casos como esse são cada vez mais comuns. De acordo com o profissional, o crescimento do Pix aumentou a incidência de transferências equivocadas.

Thales Mensur destaca que a orientação mais segura é devolver o valor assim que o erro for identificado. Além disso, o advogado recomenda que quem recebe um depósito indevido notifique o banco imediatamente. Dessa forma, evita-se acréscimo de juros e eventual ação judicial.

Na visão do especialista, tentar reter o valor raramente compensa. Isso porque a jurisprudência é praticamente unânime quanto ao dever de restituição. Portanto, resistir à devolução apenas aumenta o prejuízo financeiro do devedor.

O Que Fazer ao Receber um Valor por Engano?

Diante de um depósito indevido, algumas medidas práticas ajudam a evitar problemas judiciais. Primeiramente, é importante não movimentar o valor recebido.

Passo a Passo Recomendado

  1. Verifique o comprovante da transferência e identifique o remetente.

  2. Entre em contato com o banco para relatar o erro.

  3. Evite gastar ou transferir o valor recebido indevidamente.

  4. Aguarde orientação da instituição financeira sobre a devolução.

  5. Caso seja cobrado judicialmente, procure um advogado especializado.

Ainda assim, se o remetente não conseguir reaver o valor pela via administrativa, a ação judicial costuma ser eficaz. Isso porque os tribunais reconhecem amplamente essa obrigação de restituição.

Direitos de Quem Fez a Transferência Errada

Por outro lado, quem transfere valores por engano também tem direitos assegurados. Inicialmente, é possível solicitar ao banco o bloqueio ou a devolução do valor pela via administrativa, conforme regras do Banco Central para Pix.

Caso a via administrativa não funcione, a ação de cobrança ou a ação por enriquecimento sem causa é o caminho adequado. Da mesma forma, é possível pedir tutela de urgência para acelerar a restituição, especialmente quando há prova documental do erro.

Conclusão sobre dinheiro recebido por engano

O caso julgado em Joinville confirma um entendimento sólido no direito brasileiro. Isto é, guardar dinheiro recebido por engano configura enriquecimento sem causa. Consequentemente, quem recebe um valor indevido tem o dever legal de devolvê-lo.

Além disso, a decisão reforça a importância de agir rapidamente diante de erros bancários. Portanto, tanto quem recebe quanto quem transfere por engano devem buscar solução ágil, seja administrativa, seja judicial. Da mesma forma, ignorar a obrigação apenas aumenta os custos com correção monetária e juros.

Por fim, casos envolvendo dinheiro recebido por engano tendem a crescer com a popularização do Pix. Ainda assim, a legislação civil já oferece respostas claras para esses conflitos. A jurisprudência recente apenas confirma essa proteção ao patrimônio de quem cometeu o erro.

Perguntas Comuns

1. Sou obrigado a devolver dinheiro recebido por engano?

Sim. O artigo 876 do Código Civil determina que quem recebe valor indevido deve restituí-lo. Além disso, o artigo 884 trata do enriquecimento sem causa, aplicável quando alguém mantém valor sem justificativa legítima. Portanto, mesmo que o erro não seja seu, a lei exige a devolução do dinheiro recebido indevidamente, sob pena de cobrança judicial com juros e correção monetária.

2. O que acontece se eu não devolver um Pix recebido por engano?

Quem retém o valor pode ser cobrado judicialmente, com atualização monetária e juros de mora. Em casos de recusa deliberada, a conduta pode ainda configurar apropriação indébita, prevista no artigo 168 do Código Penal. Por isso, a orientação mais segura é comunicar o banco e devolver o valor assim que o erro for identificado, evitando complicações jurídicas futuras.

3. Como recuperar um valor transferido por engano via Pix?

Primeiramente, contate o banco e relate o erro imediatamente. As instituições financeiras seguem procedimentos do Banco Central para tentar bloquear ou reaver o valor. Caso essa via administrativa não funcione, é possível ajuizar ação de restituição com base no enriquecimento sem causa, previsto no artigo 884 do Código Civil, pedindo inclusive tutela de urgência.

4. Quanto tempo tenho para reivindicar dinheiro recebido por engano indevidamente?

O prazo prescricional para ações de enriquecimento sem causa costuma ser de três anos, conforme o artigo 206, parágrafo 3º, inciso IV, do Código Civil. Contudo, prazos podem variar conforme a natureza específica da ação escolhida. Por isso, é recomendável buscar orientação jurídica assim que o erro for identificado, evitando a perda do prazo legal.

5. Guardar dinheiro recebido por engano é crime?

Reter o valor pode configurar, em determinadas circunstâncias, o crime de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal. Isso ocorre quando há recusa deliberada em devolver o dinheiro após ciência do erro. Ainda assim, muitos casos são resolvidos na esfera cível, como demonstra a decisão da Justiça de Santa Catarina, sem necessidade de ação penal.

Para ler mais artigos como esse, acesse nosso site oficial: Thales Mensur

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