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JUROS ABUSIVOS no financiamento de veículo barram apreensão

  • 28 de ago.
  • 6 min de leitura
JUROS ABUSIVOS no financiamento de veículo

Milhares de brasileiros atrasam parcelas do carro todos os meses. Contudo, poucos sabem que juros abusivos no financiamento de veículo podem impedir a apreensão do bem. Uma decisão recente da Justiça do Paraná reacendeu esse debate. Afinal, o juiz Elvis Jakson Melnisk, da Vara Cível de Piraquara, proibiu um banco de retomar um automóvel financiado. Além disso, o magistrado reconheceu que a taxa cobrada superava quase o dobro da média do mercado. Portanto, este artigo explica quando a cobrança excessiva descaracteriza a mora e protege o consumidor.

Assim, o objetivo aqui é claro: mostrar, com base em legislação e jurisprudência, como identificar abusividade contratual. Da mesma forma, você entenderá quais medidas judiciais cabem nesses casos. Ao final, também respondemos às dúvidas mais comuns sobre o tema.

O Caso Concreto: Decisão da Vara Cível de Piraquara

Em junho de 2025, uma consumidora firmou uma Cédula de Crédito Bancário para financiar um veículo. A taxa contratada foi de 3,57% ao mês, equivalente a 52,33% ao ano. Entretanto, a taxa média do Banco Central para operações semelhantes, no mesmo período, era de 27,59% ao ano.

Diante disso, a compradora ajuizou ação revisional de contrato bancário. Ela pediu, ainda, tutela de urgência para não ter o nome negativado nem o carro apreendido. O juiz aceitou os pedidos e determinou multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento pelo banco.

Por que a Decisão Reconheceu Abuso?

O magistrado aplicou o Código de Defesa do Consumidor e inverteu o ônus da prova. Segundo o artigo 6º, inciso VIII, da Lei 8.078/1990, essa inversão ocorre quando há hipossuficiência do consumidor. Consequentemente, cabia ao banco comprovar que a taxa cobrada era regular.

Além disso, o juiz constatou que a taxa contratada correspondia a 1,90 vez a taxa média de mercado. Esse percentual superou o parâmetro de 1,5 vez, adotado pelo Superior Tribunal de Justiça como indício de abusividade. Portanto, ficou configurada a cobrança de juros abusivos no financiamento de veículo.

O Que Diz a Jurisprudência do STJ?

O entendimento aplicado no caso paranaense não é isolado. Pelo contrário, ele decorre de precedente consolidado pelo STJ.

O Parâmetro de 1,5 vezes a Taxa Média

No julgamento do Recurso Especial 1.061.530/RS, sob o rito dos recursos repetitivos, o STJ fixou critério objetivo. Segundo essa tese, taxas de juros superiores a uma vez e meia a média de mercado indicam abusividade. Esse entendimento também foi replicado por precedentes do Tribunal de Justiça do Paraná.

Vale destacar, ainda, que o Banco Central divulga mensalmente as taxas médias por modalidade de crédito. Dessa forma, o consumidor pode comparar sua taxa contratada com o índice oficial. Essa comparação é o primeiro passo para identificar eventual cobrança excessiva.

Tema Repetitivo 28: Abusividade Afasta a Mora

Outro ponto central da decisão envolve o Tema Repetitivo 28 do STJ. Segundo essa tese, cláusulas abusivas descaracterizam a mora do devedor. Ou seja, se os juros são excessivos, o consumidor não pode ser considerado inadimplente para fins de busca e apreensão.

Isso ocorre porque a mora pressupõe cobrança legítima. Logo, quando o valor exigido é ilegal, o atraso deixa de gerar os efeitos jurídicos normais. Consequentemente, o credor perde o direito de retomar o bem enquanto a discussão não é resolvida.

Tema Repetitivo 34: Proteção Contra Negativação

Da mesma forma, o Tema Repetitivo 34 do STJ trata da inscrição do nome do devedor em cadastros de restrição ao crédito. Segundo essa tese, discussões judiciais sérias sobre a dívida podem impedir a negativação. Por isso, o juiz de Piraquara também proibiu o banco de incluir o nome da autora em órgãos como SPC e Serasa.

Como Identificar Juros Abusivos no Contrato?

Identificar juros abusivos no financiamento de veículo exige alguns cuidados práticos. Primeiramente, o consumidor deve localizar a taxa de juros anual no contrato. Em seguida, é preciso comparar esse percentual com a taxa média divulgada pelo Banco Central.

Passo a Passo Para o Consumidor

  1. Consulte o site do Banco Central e localize a taxa média da modalidade contratada.

  2. Compare essa taxa com o percentual anual do seu contrato.

  3. Calcule quantas vezes sua taxa supera a média de mercado.

  4. Caso o resultado ultrapasse 1,5 vez, há indício de abusividade.

  5. Procure orientação jurídica especializada para avaliar o caso.

Ainda assim, cada contrato tem particularidades. Por isso, a análise de um advogado especializado é fundamental antes de qualquer ação judicial.

A Visão da Advocacia Especializada

Segundo o advogado Thales Mensur, que atua em Goiás na área de Direito do Consumidor, decisões como essa fortalecem o equilíbrio contratual. De acordo com o profissional, muitos consumidores desconhecem que podem contestar taxas abusivas antes mesmo de perder o veículo.

Thales Mensur destaca, ainda, que a ação revisional é uma ferramenta preventiva. Assim, o consumidor evita a apreensão do bem enquanto discute a legalidade da cobrança. Além disso, o advogado recomenda reunir o contrato e comprovantes de pagamento antes de buscar a Justiça.

Na visão do especialista, a tutela de urgência é essencial nesses casos. Isso porque a perda do veículo pode comprometer o sustento do consumidor. Portanto, agir rapidamente aumenta as chances de sucesso na ação.

Doutrina e Fundamentos Legais

O Código de Defesa do Consumidor estabelece, em seu artigo 51, que são nulas as cláusulas abusivas. O dispositivo considera abusiva a cláusula que coloque o consumidor em desvantagem exagerada. Dessa forma, taxas muito acima da média de mercado podem ser anuladas ou reduzidas judicialmente.

A doutrina consumerista também reforça esse entendimento. Autores como Cláudia Lima Marques defendem que o equilíbrio contratual é princípio central das relações de consumo. Segundo essa linha doutrinária, o Judiciário deve intervir sempre que houver desproporção manifesta entre as partes.

Além disso, a boa-fé objetiva, prevista no artigo 4º do CDC, exige transparência nas relações bancárias. Consequentemente, instituições financeiras devem informar claramente as taxas praticadas. Quando isso não ocorre, o consumidor tem respaldo legal para contestar o contrato.

Riscos de Não Contestar a Cobrança Excessiva

Ignorar juros abusivos no financiamento de veículo pode trazer consequências graves. Primeiramente, o valor total da dívida cresce de forma desproporcional ao longo do tempo. Além disso, o consumidor corre o risco de perder o bem por meio da busca e apreensão.

Outro ponto relevante é o impacto no nome do devedor. Sem contestação judicial, o nome pode ser negativado, dificultando novos créditos. Por isso, buscar orientação jurídica assim que surgir a suspeita de abuso é a medida mais prudente.

Diferença Entre Inadimplência e Cobrança Ilegal

É importante destacar que contestar juros abusivos não significa deixar de pagar a dívida. Pelo contrário, o consumidor geralmente continua depositando valores, conforme taxa considerada legal. No caso analisado, a liminar autorizou os depósitos mensais dentro do parâmetro pedido pela autora.

Assim, existe diferença clara entre inadimplência pura e discussão legítima sobre cobrança ilegal. Enquanto a primeira autoriza a apreensão, a segunda pode suspendê-la judicialmente.

Conclusão sobre juros abusivos no financiamento de veículo

A decisão da Vara Cível de Piraquara reforça um entendimento consolidado pelo STJ. Isto é, taxas de juros muito acima da média de mercado configuram abusividade contratual. Consequentemente, essa abusividade pode afastar a mora e impedir a apreensão do veículo.

Além disso, o caso mostra a importância de conhecer os próprios direitos ao financiar um automóvel. Portanto, comparar a taxa contratada com os índices do Banco Central é medida simples e eficaz. Da mesma forma, buscar orientação jurídica preventiva evita prejuízos financeiros maiores.

Por fim, casos de juros abusivos no financiamento de veículo devem ser analisados individualmente. Cada contrato tem particularidades que influenciam o resultado judicial. Ainda assim, a jurisprudência recente sinaliza maior proteção ao consumidor nesse tipo de disputa.

Perguntas Comuns

1. O que caracteriza juros abusivos no financiamento de veículo?

Juros abusivos ocorrem quando a taxa contratada supera 1,5 vez a taxa média divulgada pelo Banco Central para a mesma modalidade. Esse parâmetro foi fixado pelo STJ no Recurso Especial 1.061.530/RS. Além disso, cláusulas que geram desvantagem exagerada ao consumidor também são consideradas abusivas, conforme o artigo 51 do CDC. Para confirmar a abusividade, é necessário comparar a taxa anual do contrato com o índice oficial do período da contratação.

2. Posso impedir a apreensão do carro se os juros forem abusivos?

Sim. Quando a taxa é considerada abusiva, a jurisprudência entende que a mora do consumidor fica descaracterizada, conforme o Tema Repetitivo 28 do STJ. Dessa forma, é possível pedir tutela de urgência para suspender a busca e apreensão enquanto o contrato é revisado judicialmente. Contudo, o consumidor geralmente precisa continuar depositando os valores considerados legais durante o processo.

3. Como saber se a taxa do meu financiamento está acima da média?

Basta consultar o site do Banco Central e localizar a taxa média para a modalidade de crédito contratada. Em seguida, compare esse percentual com a taxa anual informada no seu contrato. Se o resultado ultrapassar 1,5 vez a média, há indício de abusividade. Ainda assim, recomenda-se buscar um advogado especializado para confirmar a análise e avaliar as chances de êxito judicial.

4. Meu nome pode ser negativado durante a discussão judicial dos juros?

Em regra, não. O Tema Repetitivo 34 do STJ protege o consumidor contra a negativação quando há discussão judicial séria sobre a dívida. Por isso, ao conceder tutela de urgência, o juiz costuma determinar que a instituição financeira se abstenha de incluir o nome do devedor em órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, durante a tramitação do processo.

5. Como entrar com uma ação revisional de contrato bancário?

O consumidor deve reunir o contrato de financiamento, comprovantes de pagamento e extratos bancários. Em seguida, é recomendável procurar um advogado especializado em Direito do Consumidor para avaliar o caso. O profissional pode pedir tutela de urgência para suspender cobranças abusivas e evitar a apreensão do veículo enquanto a ação tramita na Justiça.

Para ler mais artigos como esse, acesse nosso site oficial: Thales Mensur

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