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O que são JUROS ABUSIVOS?

  • 2 de abr.
  • 8 min de leitura

Muitos brasileiros sentem que suas dívidas nunca diminuem, mesmo pagando as parcelas em dia. Esse fenômeno geralmente ocorre devido à aplicação de juros abusivos em contratos de empréstimos, financiamentos ou cartões de crédito. Quando as taxas ultrapassam significativamente a média de mercado, o consumidor é colocado em uma situação de desvantagem extrema que compromete seu sustento.

Neste artigo, vamos explicar como identificar essa prática e quais são os seus direitos fundamentais. Você entenderá como a lei brasileira protege o cidadão contra o enriquecimento ilícito das instituições financeiras. Continue a leitura para descobrir se você é vítima de cobranças ilegais e como buscar a revisão do seu contrato de forma segura e eficiente.


Entendendo o conceito de juros abusivos no Brasil

A expressão juros abusivos refere-se a taxas de juros cobradas acima do limite permitido pela justiça ou muito superiores à média de mercado. No Brasil, não existe uma porcentagem fixa que define a abusividade para bancos, mas sim um critério de proporcionalidade.

As instituições financeiras possuem liberdade para fixar taxas, mas essa liberdade encontra limites no Código de Defesa do Consumidor. Quando o lucro do banco se torna desmedido às custas do prejuízo total do cliente, configura-se o abuso.

A justiça brasileira utiliza a Taxa Média de Mercado, divulgada mensalmente pelo Banco Central, como o principal parâmetro de comparação. Se o seu contrato prevê o dobro ou o triplo dessa média, as chances de vitória em uma ação revisional são altas.

A diferença entre juros altos e juros abusivos

É importante destacar que nem todo juro alto é considerado abusivo perante a lei. Os juros podem ser elevados devido ao risco da operação ou à inflação do período.

A abusividade ocorre quando o banco ignora os princípios da boa-fé e da função social do contrato. Nesses casos, o Poder Judiciário intervém para reequilibrar a relação entre o cliente e o banco, reduzindo as parcelas.


O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre juros abusivos

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é a principal ferramenta de proteção contra os juros abusivos. Ele estabelece que o consumidor tem direito à informação clara e à proteção contra métodos comerciais coercitivos.

O Artigo 6º do CDC apresenta os direitos básicos que fundamentam qualquer pedido de revisão de taxas. Veja o que diz o texto legal:

"Art. 6º São direitos básicos do consumidor: III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;"

Práticas abusivas e a vantagem excessiva

Além dos direitos básicos, o CDC proíbe expressamente que o fornecedor exija do consumidor uma vantagem que seja manifestamente exagerada. Isso se aplica diretamente aos juros de mora e taxas de financiamento.

Conforme o Artigo 39, inciso V, é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:

"Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;"

Quando o banco aplica juros abusivos, ele está desrespeitando este dispositivo. A "vantagem excessiva" é o lucro que ultrapassa os limites do razoável e do legal.


Como identificar juros abusivos no seu contrato

Para saber se você está pagando juros abusivos, o primeiro passo é analisar o Custo Efetivo Total (CET) do seu contrato. Muitas vezes, a taxa de juros nominal parece baixa, mas as taxas administrativas escondidas elevam o valor final.

Compare a taxa anual do seu financiamento com a tabela disponibilizada no site do Banco Central do Brasil. Se a diferença for gritante, você provavelmente tem uma cláusula passível de anulação judicial.

O judiciário entende que a abusividade gera uma desvantagem exagerada para o consumidor. O Artigo 51 do CDC reforça a nulidade dessas cláusulas que trazem prejuízo desmedido ao cidadão.

"Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade;"

A onerosidade excessiva como prova de abuso

A lei também define o que seria essa "desvantagem exagerada". O parágrafo 1º do artigo 51 detalha situações onde o abuso é presumido por lei.

"§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que: III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso."

Portanto, se a parcela do empréstimo consome quase toda a sua renda, existe uma onerosidade excessiva. Este é um forte argumento jurídico para combater os juros abusivos.


O Código Civil e a revisão de contratos bancários

Além do CDC, o Código Civil Brasileiro oferece suporte jurídico para combater os juros abusivos. Ele foca na ética das relações contratuais e no dever de reparação por danos causados.

O conceito de ato ilícito é fundamental aqui. Cobrar algo além do permitido por lei ou de forma desonesta configura um abuso de direito, conforme os artigos abaixo:

"Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito."
"Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes."

A função social do contrato e a boa-fé

Nenhum contrato pode ser usado como instrumento de massacre financeiro de uma das partes. O Código Civil exige que os contratos cumpram uma função social e que as partes ajam com honestidade.

Isso está previsto nos artigos 421 e 422, que limitam o poder dos bancos na elaboração das cláusulas:

"Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato." "Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé."

Cobrar juros abusivos fere diretamente a boa-fé objetiva. O banco tem o dever de informar e agir com transparência, o que raramente ocorre em contratos com taxas extorsivas.


Consequências legais da cobrança de juros abusivos

Quando a justiça reconhece a existência de juros abusivos, o banco é obrigado a recalcular a dívida. O objetivo é remover o excesso e manter apenas o que é justo e legal.

Um dos principais fundamentos para a devolução de valores é a vedação ao enriquecimento sem causa. O Código Civil é muito claro sobre a obrigação de devolver o que foi cobrado indevidamente:

"Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários."

O dever de indenizar o consumidor lesado

Em casos mais graves, onde a cobrança indevida gera danos morais ou restrições de crédito injustas, o banco pode ser condenado a indenizar o cliente. O dever de reparar o dano é uma regra de ouro do nosso ordenamento jurídico.

Conforme o Artigo 927 do Código Civil:

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo."

Isso significa que, além de reduzir a dívida, o consumidor pode receber compensações financeiras pelos transtornos causados pelo banco. A luta contra os juros abusivos é, portanto, uma busca por justiça financeira.


O papel do Banco Central e a Lei do Sistema Financeiro

Muitas pessoas acreditam que a Lei da Usura (Decreto nº 22.626/1933) limita os juros bancários a 12% ao ano. Infelizmente, para instituições financeiras, essa regra não se aplica de forma direta.

A Lei nº 4.595/1964, que rege o Sistema Financeiro Nacional, dá ao Conselho Monetário Nacional o poder de regular as taxas. Por isso, a referência principal não é um limite fixo, mas a taxa média de mercado.

O Banco Central atua monitorando o mercado e divulgando quanto os bancos estão cobrando em média para cada modalidade, como:

  • Crédito consignado;

  • Financiamento de veículos;

  • Cheque especial;

  • Cartão de crédito rotativo.

Se o seu contrato está muito acima desses índices, a configuração de juros abusivos torna-se evidente para o juiz. A análise técnica comparativa é a chave para o sucesso da revisão.


Como agir se você suspeita de juros abusivos

Se você identificou que as taxas do seu contrato são juros abusivos, o primeiro passo é não se desesperar. Existem meios legais e administrativos para resolver essa situação sem perder o seu bem ou sua paz.

Busque o auxílio de um profissional especializado em direito bancário. Ele realizará um cálculo pericial para verificar o quanto você já pagou e o quanto ainda deve realmente, subtraindo os abusos.

Lembre-se do que prevê o Artigo 478 do Código Civil sobre a onerosidade excessiva:

"Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença retroagirão à data da citação."

Embora o artigo fale em resolução, a justiça costuma aplicar a revisão para manter o contrato ativo, porém com valores justos. A revisão de juros abusivos é um direito seu e uma forma de recuperar sua dignidade financeira.


Conclusão: Proteja seu patrimônio dos abusos bancários

Compreender o que são juros abusivos é o primeiro passo para se libertar de dívidas intermináveis. Vimos que o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil brasileiro oferecem ampla proteção contra taxas que ferem a boa-fé e a função social dos contratos.

A existência de leis claras, como os artigos 6º e 51 do CDC, garante que ninguém seja obrigado a pagar valores que gerem enriquecimento ilícito aos bancos. A justiça existe para equilibrar as forças e impedir que o consumidor seja esmagado por cláusulas abusivas.

Se você sente que seu contrato é uma armadilha, procure seus direitos. Analise suas taxas frente à média do Banco Central e não aceite pagar por algo que a lei proíbe. Combater os juros abusivos é exercer sua cidadania e proteger o fruto do seu trabalho.


FAQ: Perguntas Frequentes sobre Juros Abusivos

Como saber se os juros do meu financiamento são abusivos?

Você deve comparar a taxa anual do seu contrato com a Taxa Média de Mercado divulgada pelo Banco Central para a mesma época e modalidade de crédito. Se a sua taxa for significativamente superior (geralmente acima de 1,5 vezes a média), pode haver abusividade.

Posso entrar na justiça mesmo se o contrato já estiver quitado?

Sim. Você pode pedir a repetição do indébito (devolução do que pagou a mais) mesmo após encerrar o contrato, respeitando os prazos prescricionais previstos em lei, que geralmente são de 10 anos para ações revisionais.

O banco pode tomar meu veículo se eu entrar com ação de juros abusivos?

A simples entrada com a ação não impede a busca e apreensão. Porém, se houver o depósito judicial dos valores incontroversos ou a prova clara do abuso, o juiz pode conceder uma liminar para manter você na posse do bem até o final do processo.

Qual a lei que limita os juros abusivos?

Não há uma lei com um número fixo de porcentagem para bancos. A base legal é o conjunto do Código de Defesa do Consumidor (Art. 6º, 39 e 51) e do Código Civil (Art. 187, 421 e 422), que proíbem a vantagem excessiva e a quebra da boa-fé.

Vale a pena fazer uma revisão contratual?

Sim, especialmente em contratos de longo prazo, como financiamentos imobiliários ou de veículos, onde a redução da taxa de juros pode representar uma economia de milhares de reais e a quitação antecipada da dívida.


 
 
 

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